Cecilio no Escritório

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domingo, 19 de agosto de 2007

SONETO DE AGOSTO

Com estamos em agosto, nada melhor do que publicar este soneto, retirado do Livro :
A SAUDADE DO COTIDIANO, título substituto do Livro NOVOS POEMAS de 1938 de nosso Eterno Poeta VINICIUS DE MORAES.

Soneto de agosto

Tu me levaste, eu fui... Na treva, ousados
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.

Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.

Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil...
E para a glória do teu ser mais franco

Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco.

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